quarta-feira, 20 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Nunca tão inteira, nunca tão mulher.
Eu nunca engravidei, mas tem persistido em minha cabeça o pensamento de como deve ser estar grávida. O mais esquisito é ter a sensação que esse pensamento é uma lembrança, como se eu já tivesse passado por essa experiência e agora estivesse resgatando esse momento. É uma coisa boa, linda, leve. Só dói quando me dou conta que não é real.
Até agora nem entendi esse sentimento maternal tomando conta de mim. E não adianta especular por que não há possibilidade de gravidez.
Só resta a agradecer por ter sido presenteada com a condição mágica de ser instrumento da fertilidade, do amor no ventre, do poder de parir gente, do ser mulher.
Minha reverência a ela que ama e guerreia com as cores da riqueza, o reflexo do feitiço e as águas do amor.
E nessa de sentir, agora eu sou só isso, que não é só.
Sou inteira, sou mulher.
E nessa de sentir, agora eu sou só isso, que não é só.
Sou inteira, sou mulher.
terça-feira, 8 de março de 2011
Saudoso-te!
Saudade de você que nem está longe
Mas podia estar mais perto
Não!
Dentro
De você
Aconchegada, quente e viva
Mas morri ai
E aqui, só bate você
Por hora sem saber
E sempre sem querer
Pois ainda sabendo
Sabe não poder querer
Assim como só sabe essas rimas pobres
Verbo a verbo
Uma violência fonética
De pieguice certa
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Inobjeto animado
perna-bunda
cabelo-cérebro
lábios-língua
Aperta o peito - leite
O ventre - vida e não-vida
Aperta a bunda
gemido
coração desavisado
tudo funciona
todos os botões ligados
Você, do alto de sua macheza
Grito
dedo em riste
palavra espada
não se espante se o objeto falar
e o inanimado andar
não recomendo usar, nem abusar.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Tá bom, Elisa. Eu paro!
Isso mesmo, me rendo e deixo de falar mal dela, coitada. Infeliz dela, a pobre da Rotina, tão mal tratada, sem ter culpa de nada, afinal, não pediu pra nascer e de repente todo mundo quer matá-la.
Comprei o livro pensando nos tantos poemas seus que já li acreditando que o livro de uma peça unido com poemas poderia ser ainda mais gostoso.
Não me enganei!!!
Eu detesto livros de auto-ajuda, mas confesso que esse é uma ajuda, mas não é auto, é uma ajuda da Lucinda pra gente entender que a rotina é nosso filme e, se somos nós quem a escrevemos, dirigimos e atuamos, ela só será ruim se assim façamos com que seja. O protagonismo de nossas vidas, é, obviamente, nosso, portanto, ser aquela mocinha água com açúcar é Onus também nosso. São tantos detalhes pra arrumar, tantos personagens para amar, tanta gente pra dirigir, tantos coadjuvantes em cenas principais, tantos figurantes com falas, caras, bocas e corações.
Só te recrimino por uma coisa, Elisa: muitas vezes fui pega em flagrante rindo, no ônibus, na rua, em casa, em qualquer lugar que estivesse lendo. Impossível segurar aquele desenho lindo do riso em nossos lábios ao ler algumas passagens. do livro. Me deliciei, deliciei minha vida, meus olhos, meu dia-a-dia.
Minha rotina, aquela pobre coitada, sempre xingada (quem diria?!), está FINA!! Se encheu de detalhes da vida alheia, da vida do outro que a gente não presta atenção por que ignora... o outro, e consequentemente a vida.
Como é que pode, Lucinda me ensinar a importância de ser "inxirida" desde que tomar parte da vida do outro seja tomar parte da vida e não uma mera observação e intromissão mesquinha de julgamento e censura.
A leitura é uma delícia. Linguagem dinâmica, tudo muito rápido e caceteiro, direto ao ponto, sem delongas. É como conversar com uma amiga numa mesa de bar, entre uma cerveja e outra, aquela olhada ao redor, um comentário sobre alguém que passou ou que deveria ter passado. Aquele babado que aconteceu durante a semana e só deu pra contar no happy hour¹ de sexta.
A leitura é uma delícia. Linguagem dinâmica, tudo muito rápido e caceteiro, direto ao ponto, sem delongas. É como conversar com uma amiga numa mesa de bar, entre uma cerveja e outra, aquela olhada ao redor, um comentário sobre alguém que passou ou que deveria ter passado. Aquele babado que aconteceu durante a semana e só deu pra contar no happy hour¹ de sexta.
Por tanto, Elisa, SÓ DE SACANAGEM, eu te admiro cada dia mais. Te recomendo, e rasgo seda, só de sacanagem e pra não sair da rotina.
¹Infeliz é o criador desse termo. A felicidade dele tem hora marcada.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Liberdade
O quarto aprisiona
Sufoca
Um grito que vem na garganta
Volta
Poucos suspiros
A vontade é de deitar na rua
Nua
Os raios da lua como cobertor
O edredom não cobre
Enforca
Até embala o sono
Mas dissipa sonhos
Grandes e flúidos
Desconfortáveis ao pouco pano
Aguardem!
Virão os cantos da liberdade
Nem que seja, aqui, subindo o Curuzú
Sufoca
Um grito que vem na garganta
Volta
Poucos suspiros
A vontade é de deitar na rua
Nua
Os raios da lua como cobertor
O edredom não cobre
Enforca
Até embala o sono
Mas dissipa sonhos
Grandes e flúidos
Desconfortáveis ao pouco pano
Aguardem!
Virão os cantos da liberdade
Nem que seja, aqui, subindo o Curuzú
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Transa
Ah, essa vontade de ficar nua
Devaneios de corpos negros
transando negras idéias
Pretos pensamentos
não se enxerga o fundo,
nem o raso
e essa vontade de ser sua
Devaneios de corpos negros
transando negras idéias
Pretos pensamentos
não se enxerga o fundo,
nem o raso
Só o que se ventila ao acaso
Mentalidades escuras,
jamais turvas
Mentalidades escuras,
jamais turvas
sempre lúcidas,
pontuais
mestras
pontuais
mestras
Ah, se minha cabeça transasse com a sua
Não seríamos corpos e sim lindos versos de betume
A revolução malê com nossas assinaturas
domingo, 26 de dezembro de 2010
Todo final de ano merece uma reflexão para não deixarmos de ser clichês.
Não sei o que acontece conosco quando chega o final do ano, o peito enche de ar, a cabeça enche de idéias, o coração se enche de esperança. É como se tudo de ruim que está acontecendo no mundo desaparecesse só porque um ano está acabando e outro está chegando. Parece até que todos os males que aconteceram se restringem ao “ano-velho” e no “ano-novo” serão apenas maravilhas.
Apesar dessas pieguices, pra não dizer idioticices, eu gosto da festa, diferentemente do Natal. O “nascimento do Menino Jesus” pouco me importa. Certamente a maioria que me chamaria de herege, mas o que estou dizendo é o que todos fazem inconscientemente.
Todo ano, no dia 25 de dezembro, quem lembra que ali está se comemorando o “ Nascimento do Filho de Deus”? Assim como eu, POUCO SE IMPORTAM!!!
O ápice da noite se concentra na troca de presentes que precede a farta ceia. Então...quem fica pensando nas dores do parto de Maria depois de se lambuzarem no peru (com ou sem o trocadilho mais usado no Natal), quem lembra da parideira virgem?
Aaaaaahhhh....E ai? A herege ainda sou eu? Se eu fosse cristã, poderia até estar pecando, mas não o estaria sozinha.
Apesar dessas pieguices, pra não dizer idioticices, eu gosto da festa, diferentemente do Natal. O “nascimento do Menino Jesus” pouco me importa. Certamente a maioria que me chamaria de herege, mas o que estou dizendo é o que todos fazem inconscientemente.
Todo ano, no dia 25 de dezembro, quem lembra que ali está se comemorando o “ Nascimento do Filho de Deus”? Assim como eu, POUCO SE IMPORTAM!!!
O ápice da noite se concentra na troca de presentes que precede a farta ceia. Então...quem fica pensando nas dores do parto de Maria depois de se lambuzarem no peru (com ou sem o trocadilho mais usado no Natal), quem lembra da parideira virgem?
Aaaaaahhhh....E ai? A herege ainda sou eu? Se eu fosse cristã, poderia até estar pecando, mas não o estaria sozinha.
Graças a Ogum e todo o panteão africano, não vivo de pecados e suas consequentes redenções.
Vivo de amor, força, fé e (PARA MIM) a mais linda das espiritualidades e todo dia é dia dos meus deuses: no meu orí, no meu ocan e na minha carne, vibrando, gritando e dançando.
No meu calendário Deuses nascem todos os dias em algum runcó e, portanto, todo dia é dia de fé, fartura, festa, amor ao próximo e a nós mesmos.
Um beijo pra você que hoje, dia 26, ainda está de barriga cheia, mas não necessariamente com a espiritualidade inteira.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Da série: não é meu, mas podia ser!
LIBAÇÃO - ELISA LUCINDA
É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores
As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas
É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza
É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio
Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro
Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.
A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Ode Eledá
Não sei se quero falar de mim ou falar de Ogum.
Se bem que por esses tempos, e até a eternidade, não sei mais se falar de mim é possível sem falar de Ogum.
Por mais piegas que seja, não tem como dizer diferente senão que Ogum é minha vida.
Se não fosse, vida era que eu não teria: seria sopro, pó, rastro, menos eu viva.
Ogum é o homem que domina os caminhos, o ferro e minha vida a ferro e fogo.
Fogo de Oyá, a única que carregou sua coroa no reinado de Irê.
Ela, bela Oyá, a que guerreia com a elegância de uma rainha mesmo sendo búfalo.
De ser de Ogum e ter Oyá, todo caminho deixa de ser penar pra ser a brisa do contentamento, o sorriso da luta vitoriosa, do amor de unhas, carnes, dentes e olhos nos olhos.
Assim como nenhum ferro é forjado sem o fogo, apesar de não ser Oyá, eu não sou força, fé e amor sem o agboró da minha vida.
Ogum, eu não te amo, eu sou só esse amor por você!
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