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sábado, 22 de outubro de 2011

Contida

Contive os gestos
as risadas
as palavras

tudo restrito
nada de mim

Estou sempre pra fora
mesmo quando tanto adentro

Se tudo aflora
A cor,
o clamor
os detrimentos

Eu jogo fora
Voa
dá volta
recicla no vento

Se estar dentro é fora,
Em verso
Ou prosa
Me exponho a Tempo

domingo, 5 de junho de 2011


Irmandade do chão, da mão e do ejé.
Ancestralidade africana é descobrir em cada irmão de santo o irmão de sangue que deixou no além-mar ou no negreiro atravessador do Atlântico.

IKÚ

Não sei lidar contigo, se morro eu a cada outro que morre e leva um pedaço de mim e da vida que há de renascer, mas naquele momento, inevitavelmente, morreu.
Não sei o que dizer se também nunca soube o que queria ouvir quando era eu quem precisava do consolo de um outro por causa de um terceiro levado de mim, da vida que é minha, mas morreu com ele.
Não sei como me portar se não sei como se porta quem está ali do lado quando no outro morre eu, que não vi, não lembro, não atentei ou não em importei com qualquer outro que não fosse o eu que parti.
Abraço? Beijo? Choro? Calo? 
Ah, não me dê trabalho, não me saia ainda mais caro que o preço carnal que lhe pago passando cheque em branco em dor. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Meu Lugar - Arlindo Cruz

Arlindo Cruz - Samba da melhor qualidade!!

Laguidibá - Alcione e Martinália

Composição : (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes)
 
Quem não é de Obalibô (Yô Yô)
Não usa laguidibá (Yá Yá)
Tira o colar do pescoço, seu moço
Que é pra não se machucar
Laguidibá não é simples ornamento
É colar de fundamento
Você tem que respeitar
Então seu moço
Sai desse angu de caroço
Tira o colar do pescoço
Pra papai não se zangar
Laguidibá adereço muito certo
É coisa de santo velho do antigo Daomé
Quem é de gege, pega esse colar e beije
Quem não é que se rasteje, se quiser ficar de pé

domingo, 15 de maio de 2011

Abian, Yawô e Yá

 

O início, o meio e a continuação, posto que o Axé, nunca acaba, se renova, se refaz, com ejó ou lorogum, não de desfaz!
Nasce, cria, cresce, axexê, sucessão, posse, engravida, pari, nesce, cria, cresce, filha, mãe e sempre filha.
O Candomblé é isso e não só isso. Portanto é melhor que saibamos desde sempre: ninguém entra pra sair, nem deixa de entrar pra não sair. Sendo religião de escolhidos, a cada um é dado o peso e as responsabilidades que suporta, o caminho e o benefícios que merece, o amor e o desamor que apetece. 
Chão, apoti, cadeira. Cada um a seu tempo, cada tempo com sua espera, cada espera com a delícia, não de viver, mas de SER cada fase. Senão, melhor levantar, tirar o ojá, calçar os sapatos, andar de salto e ser o que convém e não o que lhe veio.

PS:. Dedicado à minha Yá, tão linda como não podia deixar de ser uma senhora de Oxum mas que tem o brilho de uma criança nos olhos e a mesma alegria de um encantado erê; à Dofonitinha de Oxum, a minha mais velha, mais velha, pela paciência
(por que por mais que digam o contrário, ela tem até paciência em demasia), pelos aprendizados, pela criação e tudo mais; a Ojifurê, meu irmão de Obaaaaaaluaê por ter se tornado um grande amigo; aos meus demais mais velhos em especial Ominindé, Gutonan e Ominirô; aos meus mais novos, todos abiãs, já que sou a caçula, em especial Rodrigo de Logun Edé e Olga de Oba.

Com amor,
Torunjinlê!

Reflexão sarcástica: uma visão de reverso!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Passei no Pelourinho hoje, depois de meses, e fiquei estarrecida.O que é aquela degradação do nosso patrimônio humano.? Pensei ter vivido um pesadelo, chamei por Ogum a cada segundo, mas não pra me proteger e sim pra olhar por aquelas pessoas. 
Tudo começou com minha subida de Elevador Lacerda. Assim que entrei, veio um homem, com duas bolinhas de pó branco nas mãos, visivelmente fora de si, falando que tava de boa, que tinha conseguido um saldo bom das carteiras que tinha acabado de furtar. Ao ser perguntado por um moralista de plantão se ele não tinha vergonha de dizer aquilo, foi rápido e caceteiro: Eu não, sou "aviciado" mesmo. Vou fazer o que? Esperar que o bagulho venha na minha mão?? Tenho que fazer o corre, parceiro.
Ai lá vou eu pro ponto da Baixa de Sapateiro, quando estou lá esperando o bendito Bom Juá, uma mulher passa correndo e gritando descontrolada e incontrolável... os ambulantes do local dão risada, fazem chacota, já a conhecem, sabem que ela "deu um pau na maldita" (como mesmo disse um deles) e ficou assim... é sempre assim.. e é sempre assim também a naturalidade com a qual ele e muitos outros veêm a cena que me deixou com o coração deprimido.
Não é novidade que o Centro Histórico de Salvador passa por maus bocados, abandonado e orfão de políticas públicas de habitação, saúde, educação, segurança (por que aumentar policiamento, pra mim, não é política pública, é guerra), cultural..., etc. Mas a coisa está ficando degradante demais. Casarões recuperados, pintados bonitinhos para aparecer bem no Cartão Postal, mas com o maior patrimônio absolutamente renegado, negligenciado: as pessoas. O Crack está acabando com muitas delas e isso é questão de saúde pública e não de segurança. Os tambores do Olodum não estão mais abafando o som desse sofrimento. Subir a escadaria do carmo, não faz a cidade, onde todo mundo é de Oxum, ter seu brilho. As terças-feiras não parecem mais tão abençoadas... Estou triste!
Não podemos esquecer: nossos patrimônio degradado, é negro. Mata a bala, mata o crack, mata a fome, mata o desemprego. Tudo nos mata. Repito: estou triste!  
Desculpem-me, mas isso é um desabafo!  

sábado, 2 de abril de 2011

Nunca tão inteira, nunca tão mulher.



Eu nunca engravidei, mas tem persistido em minha cabeça o pensamento de como deve ser estar grávida. O mais esquisito é ter a sensação que esse pensamento é uma lembrança, como se eu já tivesse passado por essa experiência e agora estivesse resgatando esse momento. É uma  coisa boa, linda, leve. Só dói quando me dou conta que não é real.

Até agora nem entendi esse sentimento maternal tomando conta de mim. E não adianta especular por que não há possibilidade de gravidez. 
Só resta a agradecer por ter sido presenteada com a condição mágica de ser instrumento da fertilidade, do amor no ventre, do poder de parir gente, do ser mulher.

Ora yê yê, Oxum.
Minha mãe, minha benção, meu colo, minha referência.
Minha reverência a ela que ama e guerreia com as cores da riqueza, o reflexo do feitiço e as águas do amor.

E nessa de sentir, agora eu sou só isso, que não é só. 
Sou inteira, sou mulher.

terça-feira, 8 de março de 2011

Saudoso-te!

Saudade de você que nem está longe
Mas podia estar mais perto
Não!
Dentro
De você
Aconchegada, quente e viva

Mas morri ai
E aqui, só bate você
Por hora sem saber
E sempre sem querer
Pois ainda sabendo
Sabe não poder querer
Assim como só sabe essas rimas pobres
Verbo a verbo
Uma violência fonética
De pieguice certa