O desaguar avermelhado (re)encarna a cada ciclo todas as dores do mundo
Sangra o sexo, mas explode o peito de todos os amores sem absorventes
Tensiona a Procura Miserável pelo motivo de cada lágrima
Treme Pelos Massacres raivosos por tudo e por nada despertados
Teme a Perda de Migalhas sentimentais
Transforma Política Militar em íntimo sofrimento
Tenta Provocar Mortes mentalmente armadas em planos vis
Terroristas Paramentados de Marinha, em sua cabeça, alvos desarmados
Sangue jorrado entre as pernas em periódicos estupros universais
Tudo à volta abusa um pouco, todos cúmplices de uma violência hormonal
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Interditos musicais
Pensei já ter juntado todos os pedaços
Estilhaços e cacos da mulher
Como na reconstituição de um crime
Como na reconstituição de um crime
Notas ensaiadas causam tremores
Atestam o equívoco
Atestam o equívoco
Enxergo no vento doces olhares
Sussurros cantarolados
Letras per-fei-ta-men-te encaixadas nos nossos sorrisos
Música veias adentro:
Letras per-fei-ta-men-te encaixadas nos nossos sorrisos
Música veias adentro:
assusta a maldade da lembrança,
o veneno da saudade,
o assombro da desesperança
o veneno da saudade,
o assombro da desesperança
Revisitar o gostoso da nossa história
Ainda há de ser alento
Por ora,
Há Lugares Proibidos em nossas memórias.
Há Lugares Proibidos em nossas memórias.
domingo, 29 de abril de 2012
VENCEMOS!!! Negras/os, Democracia e Poder Judiciário.
Vencemos nós, negras/os, pelo anos que o Movimento Negro
persistiu em falar de políticas afirmativas, nos outros demais anos que
conseguiu fazer com que fossem implementadas.
Vencemos
enquanto pertencentes a um Estado Democrático de Direito à medida que
esse Estado, de fato, nos seja democrático e nos conceda,
igualitariamente, o direito ao acesso ao ensino superior.
Talvez
hoje, 26 de abril de 2012, a previsão dos Maias se perfaça: talvez o
mundo acabe. O Mundo de cada Ali Kamel, Ivone Maggie, Demétrio Magnoli e
Demóstene Torres que existe Brasil afora. O
mundo de cada um dos brancos que persistem na teorização de uma
democracia racial eugênica, deturpada e que violenta a cada um dos
negros nesse país.
Ainda virão diversas
batalhas no nosso cotidiano e no próprio Judiciário, mas hoje, a
vitória não foi pequena. Hoje, o Supremo Tribunal Federal levou a
Constituição a cabo como nunca antes foi levada para a promoção dos
Direitos Sociais para as/os negras/os brasileiras/os.
Estamos
diante de um marco histórico para o Judiciário, uma unanimidade
decisória que desafia as teorias universalistas que acobertam as
disparidades que o racismo proporciona.
Eu
estou feliz, radiante, emocionada. Queria escrever qualquer coisa mais
concreta, mas acho que esse momento é de comemoração. Desde 2010 espero o
julgamento dessa ADPF. Depois que assistir à audiência pública
convocada pelo Relator da Ação, acreditei que a possibilidade da
improcedência era bastante grande, sobretudo ao ver como os defensores
do fim das cotas se utilizavam de argumentos tão pouco consistentes.
Mas, embora estivesse esperando e confiante na improcedência, jamais
imaginei que os Ministros da Suprema Corte fossem tão longe na
fundamentação de seus votos. Sim, digo que foram longe por que, dentre
os 11, apenas 1 é negro e somente dele se esperava uma exposição mais
aprofundada, considerando que ele era o único a entender, quase que
espiritualmente (pensando em ancestralidade), o que significa,
realmente, a implementação das políticas afirmativas para as/os
negras/os no ensino superior. Só ele, dentre os 11, sabe quantos leões
brancos teve que matar para hoje estar ocupando aquela cadeira e quantos
dos seus amigos, vizinhos e parente negros jamais chegaram à porta de
uma Universidade, quiçá, aos altos cargos/postos desse país.
Estou,
mais que feliz, vaidosa. Vaidosa por que verei agora, ao meu lado, na
Academia, meus espelhos, me verei, sem a insegurança jurídica DEMoníaca
ter como desconstruir o que fora construído por mãos negras mais de 20
anos.
O Estado brasileiro reconheceu
hoje, que o racismo não é fato isolado e sim, que é estrutural. O país
amadureceu hoje. Não houve PAC que fizesse esse país crescer como
cresceu hoje, em dignidade, justiça e cidadania. Portanto, VENCEMOS,
Negras/os, Democracia e Poder Judiciário.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Ia
Embora findo em desonestidade e covardia
O seu sorriso já foi minha alegria
O meu corpo em seu corpo estripulias
Embora o tempo, em minha saudade, à revelia
Jaz a esperança de que um dia o esqueceria
O amor brincando, se escondeu, fingiu que ia
O seu sorriso já foi minha alegria
O meu corpo em seu corpo estripulias
Embora o tempo, em minha saudade, à revelia
Jaz a esperança de que um dia o esqueceria
O amor brincando, se escondeu, fingiu que ia
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Ora, yê!
Oxum
Dona do meu ventre e de todo ventre fértil
Traga amor ao coração do débil, deficiente de emoção, tesão e paixão
Deusa Dourada
Coloque em suas águas de doçura plena e corrente serena
As almas que, de vis, se fizeram pequenas
Banha, Senhora Reluzente, esses Orís doentes e Ocans dormentes da torpeza do desamor
Não há dissabor que amargue de todo a alma e a carne dos peitos abertos em flor
Só não esqueça do meu pedaço na barra sua da saia
Do meu cantinho em suas águas
E do meu muito do seu amor
Dê a mim e a cada um dos meus um Axé e muitos Ijexás
Yabá Yê Yê, Yá Mi Awô!!!
Dona do meu ventre e de todo ventre fértil
Traga amor ao coração do débil, deficiente de emoção, tesão e paixão
Deusa Dourada
Coloque em suas águas de doçura plena e corrente serena
As almas que, de vis, se fizeram pequenas
Banha, Senhora Reluzente, esses Orís doentes e Ocans dormentes da torpeza do desamor
Não há dissabor que amargue de todo a alma e a carne dos peitos abertos em flor
Só não esqueça do meu pedaço na barra sua da saia
Do meu cantinho em suas águas
E do meu muito do seu amor
Dê a mim e a cada um dos meus um Axé e muitos Ijexás
Yabá Yê Yê, Yá Mi Awô!!!
sábado, 22 de outubro de 2011
Já que Narciso acha feio o que não é espelho...*
Toda vez que olhamos o outro e não nos vemos, a humanidade dá mais um de seus últimos suspiros. É assim com o racismo, a homofobia e o sexismo. Talvez estejam falidos os discursos igualitários quando se tem a renovação da equidade para sustentar tão reinventadas falas.
Se ver no outro não é procurar imagem e semelhança físicas, psiquícas ou ideológicas e sim enxergar em cada contorno humano o sopro da vida. Se não quer se ver nesse espelho tolido de pedacinhos de você, não tire pedacinhos alheios: eles não te pertecem, nem se encaixarão em nenhuma parte sua. Olhando para aquele reflexo, cada um tem que enxergar a individualidade que a coletividade não só é obrigada a respeitar, como deve preservar como num instinto de sobrevivência.
Se ver no outro não é procurar imagem e semelhança físicas, psiquícas ou ideológicas e sim enxergar em cada contorno humano o sopro da vida. Se não quer se ver nesse espelho tolido de pedacinhos de você, não tire pedacinhos alheios: eles não te pertecem, nem se encaixarão em nenhuma parte sua. Olhando para aquele reflexo, cada um tem que enxergar a individualidade que a coletividade não só é obrigada a respeitar, como deve preservar como num instinto de sobrevivência.
Se eu olho pra você e te vejo machucado, alguma coisa de errada há comigo que te machuquei ou não evitei cada um dos machucados.
"Eu sou você, mesmo que você me negue"**, mesmo que você não enxergue. Cada cego disparo um tiro para a própria cabeça! É tudo espelho, mas há vários Narcisos, olhe em cada um deles e veja você!
*Adaptado da música Sampa - Caetano Veloso
**Música Alegria da Cidade - Lazzo Matumbi
*Adaptado da música Sampa - Caetano Veloso
**Música Alegria da Cidade - Lazzo Matumbi
Contida
Contive os gestos
as risadas
as palavras
tudo restrito
nada de mim
Estou sempre pra fora
mesmo quando tanto adentro
Se tudo aflora
A cor,
o clamor
os detrimentos
Eu jogo fora
Voa
dá volta
recicla no vento
Se estar dentro é fora,
Em verso
Ou prosa
Me exponho a Tempo
domingo, 5 de junho de 2011
IKÚ
Não sei lidar contigo, se morro eu a cada outro que morre e leva um pedaço de mim e da vida que há de renascer, mas naquele momento, inevitavelmente, morreu.
Não sei o que dizer se também nunca soube o que queria ouvir quando era eu quem precisava do consolo de um outro por causa de um terceiro levado de mim, da vida que é minha, mas morreu com ele.
Não sei como me portar se não sei como se porta quem está ali do lado quando no outro morre eu, que não vi, não lembro, não atentei ou não em importei com qualquer outro que não fosse o eu que parti.
Abraço? Beijo? Choro? Calo?
Ah, não me dê trabalho, não me saia ainda mais caro que o preço carnal que lhe pago passando cheque em branco em dor.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
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