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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Interditos musicais

Pensei já ter juntado todos os pedaços
Estilhaços e cacos da mulher

Como na reconstituição de um crime
Notas ensaiadas causam tremores
Atestam o equívoco

Enxergo no vento doces olhares
Sussurros cantarolados
Letras per-fei-ta-men-te encaixadas nos nossos sorrisos

Música veias adentro:
assusta a maldade da lembrança,
o veneno da saudade,
o assombro da desesperança

Revisitar o gostoso da nossa história
Ainda há de ser alento
Por ora,
Há Lugares Proibidos em nossas memórias.

domingo, 29 de abril de 2012

VENCEMOS!!! Negras/os, Democracia e Poder Judiciário.

Vencemos nós, negras/os, pelo anos que o Movimento Negro persistiu em falar de políticas afirmativas, nos outros demais anos que conseguiu fazer com que fossem implementadas.
Vencemos enquanto pertencentes a um Estado Democrático de Direito à medida que esse Estado, de fato, nos seja democrático e nos conceda, igualitariamente, o direito ao acesso ao ensino superior.
Talvez hoje, 26 de abril de 2012, a previsão dos Maias se perfaça: talvez o mundo acabe. O Mundo de cada Ali Kamel, Ivone Maggie, Demétrio Magnoli e Demóstene Torres  que existe Brasil afora. O mundo de cada um dos brancos que persistem na teorização de uma democracia racial eugênica, deturpada e que violenta a cada um dos negros nesse país.
Ainda virão diversas batalhas no nosso cotidiano e no próprio Judiciário, mas hoje, a vitória não foi pequena. Hoje, o Supremo Tribunal Federal levou a Constituição a cabo como nunca antes foi levada para a promoção dos Direitos Sociais para as/os negras/os brasileiras/os.
Estamos diante de um marco histórico para o Judiciário, uma unanimidade decisória que desafia as teorias universalistas que acobertam as disparidades que o racismo proporciona.
Eu estou feliz, radiante, emocionada. Queria escrever qualquer coisa mais concreta, mas acho que esse momento é de comemoração. Desde 2010 espero o julgamento dessa ADPF. Depois que assistir à audiência pública convocada pelo Relator da Ação, acreditei que a possibilidade da improcedência era bastante grande, sobretudo ao ver como os defensores do fim das cotas se utilizavam de argumentos tão pouco consistentes. Mas, embora estivesse esperando e confiante na improcedência, jamais imaginei que os Ministros da Suprema Corte fossem tão longe na fundamentação de seus votos. Sim, digo que foram longe por que, dentre os 11, apenas 1 é negro e somente dele se esperava uma exposição mais aprofundada, considerando que ele era o único a entender, quase que espiritualmente (pensando em ancestralidade), o que significa, realmente, a implementação das políticas afirmativas para as/os negras/os no ensino superior. Só ele, dentre os 11, sabe quantos leões brancos teve que matar para hoje estar ocupando aquela cadeira e quantos dos seus amigos, vizinhos e parente negros jamais chegaram à porta de uma Universidade, quiçá, aos altos cargos/postos desse país.
Estou, mais que feliz, vaidosa. Vaidosa por que verei agora, ao meu lado, na Academia, meus espelhos, me verei, sem a insegurança jurídica DEMoníaca ter como desconstruir o que fora construído por mãos negras mais de 20 anos.
O Estado brasileiro reconheceu hoje, que o racismo não é fato isolado e sim, que é estrutural. O país amadureceu hoje. Não houve PAC que fizesse esse país crescer como cresceu hoje, em dignidade, justiça e cidadania. Portanto, VENCEMOS, Negras/os, Democracia e Poder Judiciário.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Ia

Embora findo em desonestidade e covardia
O seu sorriso já foi minha alegria
O meu corpo em seu corpo estripulias
Embora o tempo, em minha saudade, à revelia
Jaz a esperança de que um dia o esqueceria
O amor brincando, se escondeu, fingiu que ia

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ora, yê!

Oxum
Dona do meu ventre e de todo ventre fértil
Traga amor ao coração do débil, deficiente de emoção, tesão e paixão

Deusa Dourada
Coloque em suas águas de doçura plena e corrente serena
As almas que, de vis, se fizeram pequenas
Banha, Senhora Reluzente, esses Orís doentes e Ocans dormentes da torpeza do desamor
Não há dissabor que amargue de todo a alma e a carne dos peitos abertos em flor
Só não esqueça do meu pedaço na barra sua da saia
Do meu cantinho em suas águas
E do meu muito do seu amor
Dê a mim e a cada um dos meus um Axé e muitos Ijexás
Yabá Yê Yê, Yá Mi Awô!!!

sábado, 22 de outubro de 2011

Já que Narciso acha feio o que não é espelho...*

Toda vez que olhamos o outro e não nos vemos, a humanidade dá mais um de seus últimos suspiros. É assim com o racismo, a homofobia e o sexismo. Talvez estejam falidos os discursos igualitários quando se tem a renovação da equidade para sustentar tão reinventadas falas.
Se ver no outro não é procurar imagem e semelhança físicas, psiquícas ou ideológicas e sim enxergar em cada contorno humano o sopro da vida. Se não quer se ver nesse espelho tolido de pedacinhos de você, não tire pedacinhos alheios: eles não te pertecem, nem se encaixarão em nenhuma parte sua. Olhando para aquele reflexo, cada um tem que enxergar a individualidade que a coletividade não só é obrigada a respeitar, como deve preservar como num instinto de sobrevivência. 
Se eu olho pra você e te vejo machucado, alguma coisa de errada há comigo que te machuquei ou não evitei cada um dos machucados.
"Eu sou você, mesmo que você me negue"**, mesmo que você não enxergue. Cada cego disparo um tiro para a própria cabeça! É tudo espelho, mas há vários Narcisos, olhe em cada um deles e veja você!

*Adaptado da música Sampa - Caetano Veloso
**Música Alegria da Cidade - Lazzo Matumbi

Contida

Contive os gestos
as risadas
as palavras

tudo restrito
nada de mim

Estou sempre pra fora
mesmo quando tanto adentro

Se tudo aflora
A cor,
o clamor
os detrimentos

Eu jogo fora
Voa
dá volta
recicla no vento

Se estar dentro é fora,
Em verso
Ou prosa
Me exponho a Tempo

domingo, 5 de junho de 2011


Irmandade do chão, da mão e do ejé.
Ancestralidade africana é descobrir em cada irmão de santo o irmão de sangue que deixou no além-mar ou no negreiro atravessador do Atlântico.

IKÚ

Não sei lidar contigo, se morro eu a cada outro que morre e leva um pedaço de mim e da vida que há de renascer, mas naquele momento, inevitavelmente, morreu.
Não sei o que dizer se também nunca soube o que queria ouvir quando era eu quem precisava do consolo de um outro por causa de um terceiro levado de mim, da vida que é minha, mas morreu com ele.
Não sei como me portar se não sei como se porta quem está ali do lado quando no outro morre eu, que não vi, não lembro, não atentei ou não em importei com qualquer outro que não fosse o eu que parti.
Abraço? Beijo? Choro? Calo? 
Ah, não me dê trabalho, não me saia ainda mais caro que o preço carnal que lhe pago passando cheque em branco em dor. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Meu Lugar - Arlindo Cruz

Arlindo Cruz - Samba da melhor qualidade!!

Laguidibá - Alcione e Martinália

Composição : (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Nei Lopes)
 
Quem não é de Obalibô (Yô Yô)
Não usa laguidibá (Yá Yá)
Tira o colar do pescoço, seu moço
Que é pra não se machucar
Laguidibá não é simples ornamento
É colar de fundamento
Você tem que respeitar
Então seu moço
Sai desse angu de caroço
Tira o colar do pescoço
Pra papai não se zangar
Laguidibá adereço muito certo
É coisa de santo velho do antigo Daomé
Quem é de gege, pega esse colar e beije
Quem não é que se rasteje, se quiser ficar de pé