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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

RELATOS DE CARNAVAL (II) - Guiguio sauda Léo Santana

E lá vem o tapete negro descendo a avenida sete, passando pela Casa de Itália. Lá vai o Parangolé tocando o hit do carnaval e, de repente, no meio dos tambores, se ouve Guiguio gritar: "É isso ai, meu irmão. Parabéns pra você, Léo que está chegando com tudo trazendo o som do guetho para as paradas de sucesso do carnaval. Rebolation também é som da negrada!!!"
Certo que não foram exatamente essas as palavras, mas o sentido está perfeitamente descrito. O que se pretendeu foi elogiar e lembrar que aquele gostosão que arrasta a massa rebolando também é parte do Ilê Aiyê, do mundo negro, que ele saiu de alguma quebrada para estar ali em cima daquele caminhão cheio de caixa de som e que para tanto teve muito que suar.
Achei interessante, para além do que foi dito, a espontaneidade com que Guiguio se pendurou na grade do seu trio para acenar e saudar aquele jovem preto que tava lá do outro lado "no rebolation tion tion". E depois, só aplausos, inclusive os meus!

Um comentário:

Bebel disse...

Pois é som de preto sim. Temos que entender que para além do que foi estereotipado e padronizado como som de preto existe suas vertentes, são dissonantes dos guetos, da linguagem da comunidade. Ilê Ayê é á matriz que impulsiona o reboletion e que diz aquele garoto que cortava cabelo na sua comunidade por dois reais que hoje ele é o jovem de 21 anos que levanta a massa e que muitos iguais a ele poderão levantar também. Além de ser gostoso, todo bom...Há lá em casa...